O professor de Direito Plauto Faraco de Azevedo foi o entrevistado de hoje (6/5) na quinta edição do projeto “Dialogando para promover a cultura”, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região. O presidente da corte, desembargador federal Vladimir Passos de Freitas, foi o mediador da conversa com Azevedo, que aconteceu no Auditório do TRF e abordou o tema "Ser professor de Direito: opção única".
Professor dos cursos de pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Azevedo tem 65 anos, publicou vários livros e é um dos poucos professores da área que se dedicam apenas ao magistério. Questionado por Freitas sobre a escolha da profissão, lembrou a influência do avô, cuja grande biblioteca despertou nele, desde criança, o interesse pelos livros. Após ter trabalhado no Tribunal de Contas do Estado e na Justiça do Trabalho, Azevedo foi para a Bélgica fazer doutorado. Ao voltar, resolveu pedir demissão e foi trabalhar como professor com dedicação exclusiva na Ufrgs em 1972.
Azevedo ressaltou a importância do conhecimento de temas de cultura geral, como a literatura, o teatro e o cinema. Na área do Direito, lembrou, o primeiro dever do profissional é conhecer a dogmática, o direito positivo. No entanto, “o espírito crítico é essencial, tudo se discute”, ressaltou. “Devemos ver o Direito numa perspectiva global e onde ele se insere”, disse. Para isso, é importante ler jornais. “Eu sou completamente viciado, leio todos os dias”. A leitura dos grandes autores da literatura mundial, jurídicos ou não, “também é essencial para o ser humano e para o profissional do Direito”, concluiu. Azevedo citou como exemplo o jornal francês
Le Monde Diplomatique e a Folha de S. Paulo.
Sobre o relacionamento com os alunos, o professor contou casos vividos por ele em sala de aula. Ele recordou que, quando era mais jovem, a relação era mais difícil. “Eu não gostava de conversa na sala de aula”, disse. Mas considerou que evoluiu muito nesse aspecto. “Superei completamente esse problema, me tornei mais humano”, brincou.
» Todas as notícias