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‘Livro é um direito’, diz Donaldo Schüler no TRFPatrono da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre participou hoje do Dialogando para Promover a Cultura04/11/2004 19:39:00O acesso ao livro é um direito, e não um privilégio dos cidadãos brasileiros. Essa foi a idéia defendida com veemência hoje (4/11) pelo patrono da 50ª Feira do Livro de Porto Alegre, Donaldo Schüler, convidado do projeto “Dialogando para Promover a Cultura”. O encontro foi mediado pela vice-presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, desembargadora federal Marga Inge Barth Tessler, e teve como tema “Cultura e Transformação”.
Nascido em Videira (SC), Schüler é cidadão honorário de Porto Alegre desde 2002. A paixão pelos livros levou o catarinense a desenvolver as facetas de professor, tradutor e escritor, incursionando inclusive pela literatura infantil. O filho adotivo da capital gaúcha, onde está radicado há quase 60 anos, é responsável pela tradução para o português de “Finnegans Wake/Finnicius Revem”, obra de James Joyce classificada entre os especialistas como “quase intraduzível” devido à enorme quantidade de neologismos inventados pelo autor. Pelo trabalho, recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte o Prêmio APCA 2003 de Melhor Tradução. Apesar da homenagem, o palestrante manteve a humildade quando interrogado sobre como conseguiu executar o desafio. “Eu me pergunto é como Joyce conseguiu escrever um livro como esse”, destacou.
Integrante do Movimento Transverso, as declarações de Schüler sobre a arte atual são provocantes. “A arte contemporânea é efetivamente um problema. Quem já não foi a uma exposição e saiu se perguntando: ‘Isso é arte?’ Existem também peças de teatro ou músicas que fazem o público se sentir agredido”, afirmou o patrono da Feira do Livro. Ele lembrou, contudo, que uma distância entre espectador e artista é natural, com o diferente causando estranhamento, dando como exemplo Van Gogh, que morreu pobre e sem reconhecimento, mas cujos quadros valem hoje milhões de dólares. Diante desse panorama, a sugestão do palestrante não é refutar a arte contemporânea, mas sim refletir sobre ela. “Até para podermos recusá-la de forma consciente”, argumentou. Como patrono da Feira do Livro da capital do Rio Grande do Sul no ano em que o evento completa 50 anos de existência, Schüler define seu papel como o de um operário e semeia o pensamento de que somos todos responsáveis por aumentar os índices de leitura no Brasil. “À medida que trabalhamos com a cabeça, somos todos intelectuais e temos que nos unir para desenvolver o país. Foi um erro do marxismo dizer que braços movem o mundo. Hoje o trabalho com os braços ficou para o robô”, observou o palestrante, que completou: “Não podemos transferir nossa responsabilidade para o Estado. Governo nenhum pode distribuir livros para todo mundo”. Sugeriu que uma maneira de concretizar o acesso à literatura seria toda a empresa ter uma estante de livros.
O Dialogando para Promover a Cultura oferece todo mês a oportunidade de os funcionários do tribunal terem contato com personalidades de destaque regional e nacional. O evento é promovido pela Presidência do TRF e organizado pela Divisão de Seleção, Acompanhamento e Desenvolvimento (Disad) da Diretoria de Recursos Humanos (DRH) da corte.
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